SALMO 113 (112)
O grande mistério de Deus
1 Aleluia!
Louvem, servos de Javé, louvem o nome de Javé!
2 Seja bendito o nome de Javé, desde agora e para sempre.
3 Do nascer do sol até o poente, louvado seja o nome de Javé!
4 Javé se eleva sobre todos os povos, sua glória está acima do céu!
5 Quem é igual a Javé nosso Deus, que se eleva em seu trono,
6 e se abaixa para olhar pelo céu e pela terra?
7 Ele ergue da poeira o fraco e tira do lixo o indigente,
8 fazendo-o sentar-se com os príncipes, ao lado dos príncipes do seu povo.
9 Ele faz a estéril sentar-se em sua casa, como alegre mãe de filhos. Aleluia!
SALMO 112 (111)
Retrato do homem justo
1 Aleluia!
Feliz o homem que teme a Javé e se compraz com seus mandamentos!
2 Sua descendência será poderosa na terra, a descendência dos retos será abençoada.
3 Na sua casa há abundância e riqueza. Sua justiça permanece para sempre.
4 Ele brilha na treva como luz para os retos, ele é piedade, compaixão e justiça.
5 Feliz quem tem piedade e empresta, e conduz seus negócios com retidão.
6 Eis que ele jamais vacilará. A memória do justo é para sempre.
7 Ele nunca teme as notícias más: seu coração está firme em Javé.
8 Seu coração está seguro e não teme nada, até ver seus opressores derrotados.
9 Ele dá esmola aos indigentes. Sua justiça permanece para sempre, e ele ergue a fronte com dignidade.
10 O injusto olha e se desgosta, range os dentes e definha. A ambição dos injustos fracassará.
SALMO 111 (110)
A verdadeira tradição
1 Aleluia!
Eu celebro a Javé de todo o coração, na companhia dos retos, no conselho.
2 São grandes as obras de Javé, dignas de estudo para quem as ama.
3 Sua obra é esplendor e majestade, sua generosidade permanece para sempre.
4 Ele fez maravilhas memoráveis. Javé é piedade e compaixão:
5 dá alimento aos que o temem, sempre se lembrando da sua aliança.
6 Ao seu povo mostrou a força do seu agir, entregando-lhe a herança das nações.
7 Justiça e Verdade são as obras de suas mãos, seus preceitos todos merecem confiança.
8 São estáveis para sempre e eternamente, vão cumprir-se com verdade e retidão.
9 Enviou a libertação ao seu povo, confirmando sua aliança para sempre. Seu nome é santo e terrível.
10 O princípio da sabedoria é o temor de Javé. Todos quantos o praticam têm bom senso. O louvor a Javé permanece para sempre.
SALMO 110 (109)
A função do rei
De Davi. Salmo.
1 Oráculo de Javé ao meu senhor:
Sente-se à minha direita, e eu farei de seus inimigos o estrado de seus pés.
2 Desde Sião, Javé estenderá o poder do seu cetro: submeta na batalha os seus inimigos.
3 Você é príncipe desde o dia do seu nascimento, entre esplendores sagrados.
Eu mesmo o gerei, como orvalho, antes da aurora.
4 Javé jurou e jamais desmentirá: Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.
5 O Senhor está à sua direita e esmagará os reis no dia da ira.
6 Pronunciará a sentença contra as nações, amontoará cadáveres,
e esmagará cabeças por toda a imensidão da terra.
7 Em seu caminho beberá da torrente, e por isso levantará a cabeça.
SALMO 109 (108)
Deus é advogado dos pobres
Do mestre de canto. De Davi. Salmo. Deus do meu louvor, não te cales,
1 pois uma boca maldosa e traiçoeira abriu-se contra mim.
2 Com língua mentirosa falam para mim;
3 e me rodeiam com palavras de ódio, e me combatem sem motivo.
4 Em troca da minha amizade, me acusam, e eu fico suplicando.
5 Eles me devolvem o mal pelo bem, o ódio em paga da minha amizade.
6 Nomeia contra ele um injusto, um acusador que esteja à direita dele.
7 Saia condenado do julgamento, e sua defesa não dê certo.
8 Que seus dias sejam breves, e outro ocupe o seu emprego.
9 Que seus filhos fiquem órfãos, e sua mulher se torne viúva.
10 Que seus filhos fiquem vagando a mendigar, e sejam expulsos das ruínas.
11 Que o usurário roube o que ele possui, e estrangeiros depredem os seus bens.
12 Que ninguém lhe mostre clemência, e ninguém se compadeça de seus órfãos.
13 Que sua descendência seja cortada, e seu nome se extinga numa só geração.
14 Que Javé se lembre da culpa de seus pais, e o pecado de sua mãe nunca seja apagado.
15 Que Javé os tenha sempre na sua frente, e corte da terra a lembrança deles!
16 Porque ele não se lembrou de agir com clemência, porque perseguiu o pobre e o indigente, e até à morte o coração contrito.
17 Ele amou a maldição: que esta recaia sobre ele. Ele não buscou a bênção: que ela o abandone.
18 Vestia-se de maldição como de um manto: que ela penetre suas entranhas como água, e como óleo em seus ossos.
19 Seja para ele como roupa a cobri-lo, como cinto que o aperte sempre!
20 Que Javé pague assim os que me acusam, os que proferem o mal contra mim!
21 Tu, porém, Javé, trata-me bem, por teu nome, liberta-me, pela ternura do teu amor,
22 porque eu sou um pobre indigente, e, dentro de mim, o meu coração está ferido.
23 Vou passando, como sombra que se expande, sou atirado para longe, como gafanhoto.
24 Jejuei tanto, que meus joelhos se dobram, e sem óleo minha carne emagrece.
25 Tornei-me para eles um ultraje, e os que me vêem balançam a cabeça.
26 Javé, meu Deus, vem socorrer-me! Salva-me, por teu amor!
27 Reconheçam que tudo isso vem da tua mão, que foste tu, Javé, quem o fez!
28 Que eles maldigam... Bendize-me tu! Que meus inimigos fracassem, enquanto o teu servo se alegra.
29 Cubram-se de infâmia os que me acusam, e a vergonha os envolva como um manto.
30 Agradecerei a Javé em alta voz, e o louvarei no meio da multidão,
31 pois ele se colocou à direita do pobre, para salvar a sua vida da mão dos juízes.
SALMO 108 (107)
Com Deus faremos proezas
Cântico. Salmo. De Davi.
2 Meu coração está firme, ó Deus. Para ti cantarei e tocarei, ó glória minha.
3 Despertem, cítara e harpa, que eu vou despertar a aurora.
4 Vou louvar-te entre os povos, Javé, vou tocar para ti em meio às nações,
5 pois o teu amor é maior do que o céu, e a tua fidelidade chega até as nuvens.
6 Eleva-te acima do céu, ó Deus, e tua glória domine a terra inteira,
7 para que os teus amados sejam libertos, e tua mão salvadora responda para nós.
8 Deus falou no seu santuário: Triunfante ocuparei Siquém, e repartirei o vale de Sucot.
9 Meu é Galaad, meu é Manassés. Efraim é o elmo da minha cabeça, e Judá o meu cetro de comando.
10 Moab é a bacia onde me lavo, sobre Edom lanço minha sandália, e sobre a Filistéia canto vitória.
11 Quem me levará a uma cidade-forte, quem me conduzirá até Edom,
12 se tu, ó Deus, nos rejeitaste, e já não sais com nossas tropas?
13 Concede-nos socorro na opressão, porque o auxílio humano é inútil!
14 Com Deus nós faremos proezas: ele pisará nossos opressores!
SALMO 107 (106)
Deus inverte as situações
1 Agradeçam a Javé, porque ele é bom, porque o seu amor é para sempre!
2 Repitam isso os redimidos por Javé, que ele redimiu da mão do opressor,
3 que ele reuniu do meio das trevas, do oriente e do ocidente, do norte e do sul.
4 Eles erravam por um deserto solitário, sem achar o caminho para uma cidade habitada.
5 Estavam famintos e sedentos, e a vida já os abandonava.
6 Na sua aflição, clamaram para Javé, e ele os libertou de suas angústias.
7 Ele os guiou pelo caminho certo, para que chegassem a uma cidade habitada.
8 Que eles agradeçam a Javé o seu amor, as maravilhas que faz pelos homens.
9 Ele saciou a garganta sedenta e encheu de bens a garganta faminta.
10 Eles habitavam sombras e trevas, prisioneiros de ferros e miséria,
11 por se revoltarem contra as ordens de Deus, desprezando o projeto do Altíssimo.
12 Ele humilhou seu coração com fadigas: sucumbiam, e ninguém os socorria.
13 Na sua aflição, clamaram para Javé, e ele os libertou de suas angústias.
14 Ele os tirou das sombras e trevas, e rompeu seus grilhões.
15 Que eles agradeçam a Javé o seu amor, as maravilhas que faz pelos homens.
16 Ele quebrou as portas de bronze, despedaçou as trancas de ferro.
17 Insensatos, no caminho da transgressão, eram afligidos por suas próprias injustiças;
18 rejeitavam qualquer alimento e já batiam às portas da morte.
19 Na sua aflição, clamaram para Javé, e ele os libertou de suas angústias.
20 Ele enviou sua palavra para curá-los, e para salvá-los da perdição.
21 Que eles agradeçam a Javé o seu amor, as maravilhas que faz pelos homens.
22 Ofereçam sacrifícios de louvor, proclamem suas obras com gritos de alegria.
23 Desciam de navio pelo mar, comerciando na imensidão das águas.
24 Eles viram as obras de Javé, suas maravilhas em alto-mar.
25 Ele falou, levantando um vento impetuoso, que elevou as ondas do mar.
26 Eles subiam até o céu e baixavam até o abismo, a vida deles se agitava na desgraça.
27 Rodavam, balançando como bêbados, e de nada adiantou a perícia deles.
28 Na sua aflição, clamaram para Javé, e ele os libertou de suas angústias.
29 Ele transformou a tempestade em leve brisa e as ondas emudeceram.
30 Ficaram alegres com a bonança, e ele os guiou ao porto desejado.
31 Que eles agradeçam a Javé o seu amor, as maravilhas que faz pelos homens.
32 Que o exaltem na assembléia do povo, e o louvem no conselho dos anciãos!
33 Ele transforma rios em deserto, nascentes em terra sedenta,
34 terra fértil em salina, por causa do mal de seus habitantes.
35 Transforma o deserto em lençóis de água, terra seca em nascentes;
36 e aí faz morar os famintos, que fundam uma cidade habitada.
37 Eles semeiam campos e plantam vinhas, e colhem frutos em abundância.
38 Ele os abençoa e sempre mais se multiplicam, e não deixa o rebanho deles diminuir.
39 Depois diminuem e vão minguando pela opressão do mal e sofrimento.
40 Ele espalha o desprezo contra os poderosos, fazendo-os vagar na confusão sem saída.
41 Mas tira o indigente da miséria e multiplica famílias como rebanhos.
42 Os corações retos admiram e ficam alegres, e toda injustiça fecha a boca.
43 Quem é sábio? Observe essas coisas, e saiba discernir o amor de Javé!